Ir para o conteúdo
Dr. Marcelo Acosta — Neurocirurgia · Cirurgia da Coluna

Decisão cirúrgica · 9 min de leitura

Vou operar a coluna: como me preparar e o que esperar

Vou Operar a Coluna — capa do artigo do Dr. Marcelo Acosta, neurocirurgião de coluna em São Paulo: símbolo da marca em iluminação uniforme.

A indicação da cirurgia veio, e agora há um intervalo até o dia. Este guia é para esse intervalo: o que preparar, o que avisar, como é o dia da internação, o que é normal nos primeiros dias em casa e quando chamar a equipe. Foi escrito para o paciente e para quem vai acompanhar. Tudo o que estiver diferente no seu caso prevalece sobre o texto: a orientação da equipe de cirurgia e anestesia vem primeiro.

Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Augusto Acosta Goiri — Neurocirurgião — CRM-SP 164159 — RQE 80588. Atualizado em 29 de outubro de 2026.

Antes da cirurgia

A preparação começa na consulta pré-operatória com o médico especialista em coluna: ali se revisam os exames de imagem, os exames de sangue e cardiológicos pedidos conforme a idade e as doenças associadas, e se faz a avaliação anestésica, em que o anestesista conhece o seu histórico e explica o tipo de anestesia. É o momento de tirar dúvidas e de contar tudo o que usa e tem.

Remédios que precisam de orientação

Alguns remédios mudam o planejamento e precisam ser combinados com antecedência: anticoagulantes e antiagregantes (a suspensão ou o ajuste é decidido com o médico que os prescreveu, nunca por conta própria), remédios para diabetes (a glicemia é ajustada para o jejum e para o dia da cirurgia) e qualquer remédio de uso contínuo, que deve estar na lista entregue na consulta.

Remédios para diabetes ou para emagrecer aplicados por injeção (análogos de GLP-1)

Remédios como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, usados para diabetes ou para emagrecer, deixam o estômago mais lento para esvaziar. Na anestesia, isso aumenta o risco de ainda haver alimento no estômago e de esse conteúdo ir para o pulmão (broncoaspiração). Em geral, esses remédios precisam ser suspensos antes da cirurgia. Quanto tempo antes depende do remédio e da forma de uso, por isso confirme com a equipe de cirurgia e anestesia, com antecedência, quando fazer a última aplicação. Avise mesmo que use só para emagrecer ou que o remédio tenha sido indicado por outro médico. Não suspenda nem mude a dose por conta própria. Quem usa para diabetes pode precisar ajustar outros remédios com o médico que acompanha o tratamento.

Parar de fumar

O cigarro atrapalha a cicatrização, aumenta o risco de infecção e, nas cirurgias com fusão, o risco de o osso não consolidar. Parar antes da cirurgia, pelo maior tempo possível, faz diferença; a equipe pode orientar sobre apoio para isso.

Jejum

O tempo de jejum para alimentos e para líquidos é informado pela equipe de anestesia e deve ser seguido à risca: comer ou beber fora da orientação pode adiar a cirurgia, por segurança. Quem usa análogo de GLP-1 deve confirmar com a equipe a data da última aplicação antes da cirurgia.

O que levar para o hospital

Documento com foto, carteirinha e a guia de autorização; os exames de imagem (de preferência em arquivo digital) e os exames recentes; a lista de remédios em uso, com doses, e os próprios remédios de uso contínuo na embalagem original; roupas confortáveis e fáceis de vestir, chinelo antiderrapante, itens de higiene; óculos, aparelho auditivo ou dentário, se usar; e o contato do acompanhante.

O que avisar na consulta pré-operatória

  • Todos os remédios de uso contínuo, inclusive fitoterápicos e suplementos
  • Alergias a medicamentos, contraste, látex ou esparadrapo
  • Doenças em tratamento (pressão, diabetes, coração, pulmão, tireoide, apneia do sono)
  • Cirurgias e anestesias anteriores, e qualquer problema que tenha acontecido nelas
  • Se usa remédio injetável para diabetes ou para emagrecer (análogo de GLP-1) e quando foi a última aplicação
  • Se tem marca-passo, implante metálico ou estimulador (a equipe de monitorização precisa saber)
  • Se está gestante ou com suspeita de gestação

O dia da internação

Na chegada, a recepção do hospital confirma os documentos e a autorização e encaminha ao quarto ou à área de preparo, onde a equipe de enfermagem confere a identificação, os remédios e o jejum e coloca o acesso venoso. Dali você vai ao centro cirúrgico, onde encontra o anestesista e o cirurgião antes de dormir. A anestesia é explicada de novo nesse momento; a maioria das cirurgias de coluna é feita com anestesia geral, e você não vê nem sente o procedimento.

Monitorização dos nervos durante a cirurgia

Um medo comum antes da cirurgia de coluna é "e se mexerem no nervo e eu ficar sem andar?". Por isso, nas cirurgias de coluna o Dr. Marcelo usa a monitorização neurofisiológica intraoperatória (MNIO).

O que é: um acompanhamento elétrico, em tempo real, da medula e das raízes nervosas durante toda a cirurgia, com potenciais evocados motores e somatossensitivos e eletromiografia, conforme o tipo de cirurgia. Um especialista em neurofisiologia acompanha os sinais junto com a equipe cirúrgica e o anestesista.

Para que serve: funciona como um radar de segurança. Se um nervo ou a medula mostrar sinal de sofrimento, por exemplo por tração ou compressão, a equipe é avisada em tempo real e pode ajustar a conduta. Quando há parafusos, a monitorização também ajuda a testar se eles estão em posição segura em relação aos nervos.

O que esperar: os pequenos eletrodos são colocados na pele e no couro cabeludo depois que você já está anestesiado e retirados ao final da cirurgia, antes de você acordar. Pode ficar algum pontinho ou marca leve onde estavam, que some em poucos dias.

É uma camada a mais de segurança, somada ao planejamento e à técnica cirúrgica. Nenhuma cirurgia tem risco zero, e os riscos do seu caso são conversados na consulta.

Infiltrações, bloqueios e rizotomia são procedimentos feitos com agulha, sem cirurgia aberta. Neles a monitorização não é usada.

Sala de recuperação

Ao terminar, você acorda na sala de recuperação pós-anestésica, onde fica por um tempo sob observação da enfermagem e do anestesista até a anestesia passar com segurança, com controle da dor, da pressão e da respiração. Só depois vai para o quarto. A família é avisada do término pela equipe e costuma rever o paciente já no quarto; o tempo na sala de recuperação varia conforme a cirurgia e a anestesia.

Depois da cirurgia, no hospital

A dor é controlada com várias estratégias combinadas: medicação pela veia e, depois, por via oral, analgésicos de classes diferentes, posicionamento e, em alguns casos, anestésico local na ferida. Sentir alguma dor é esperado; dor que não cede ao esquema deve ser comunicada à enfermagem, porque o plano pode ser ajustado.

Levantar e caminhar cedo, com ajuda da equipe, faz parte do tratamento: melhora a circulação, a respiração e o intestino e reduz o risco de trombose. A primeira vez é sempre acompanhada. O curativo é trocado pela enfermagem conforme a orientação, e você recebe as instruções para cuidar dele em casa.

A alta acontece no mesmo dia ou nos dias seguintes, conforme a cirurgia e a sua recuperação, com a receita, as orientações por escrito e a data do primeiro retorno. Procedimentos como a cirurgia endoscópica e a microdiscectomia costumam ter internação mais curta; a artrodese, a descompressão e a ACDF têm o tempo combinado caso a caso.

Em casa: o que é normal nos primeiros dias

Dor na região da cirurgia que melhora aos poucos, com dias melhores e piores; cansaço maior do que o habitual e sono irregular; intestino preso pelos remédios de dor e pela menor movimentação (hidratação, fibras e caminhar ajudam; a equipe pode orientar um laxante); um pouco de inchaço ou roxo perto do curativo; e, nas cirurgias cervicais, dificuldade leve para engolir ou rouquidão nos primeiros dias. Tudo isso tende a melhorar ao longo das primeiras semanas. Dormência ou formigamento que já existiam antes podem demorar mais para melhorar do que a dor.

Quando avisar a equipe

O que é esperado e o que pede contato, para não ficar na dúvida:

  • Avise a equipe: febre; secreção, vermelhidão ou abertura da ferida; piora de força ou dormência na perna ou no braço; dificuldade para urinar; dor ou inchaço na panturrilha; dor que não melhora com o esquema prescrito
  • Pronto-socorro: falta de ar ou dor no peito
  • É esperado: dor na região da cirurgia que melhora aos poucos, cansaço, sono irregular, intestino preso nos primeiros dias, inchaço ou roxo leve perto do curativo

Retorno às atividades

Dirigir, voltar ao trabalho, retomar o exercício e começar a fisioterapia têm cada um o seu momento, e esse momento depende da cirurgia e da sua recuperação; é combinado nos retornos, não por calendário fixo. Em linhas gerais: caminhar desde o início; atividades leves e trabalho de escritório quando a dor permite; dirigir quando você consegue virar o tronco ou o pescoço sem dificuldade e sem remédios que causam sono; esforço físico e esporte de impacto só depois da liberação, que nas cirurgias com fusão espera a consolidação. A fisioterapia é iniciada quando a equipe orienta, com objetivos definidos.

Para quem vai acompanhar

O acompanhante é parte da equipe: leva os documentos e a lista de remédios, recebe as orientações de alta junto com o paciente e ajuda a lembrá-las, e faz o transporte na saída do hospital (o paciente não dirige). Em casa, nos primeiros dias, ajuda nas tarefas que exigem esforço ou inclinação (carregar, varrer, pegar objetos no chão), organiza os remédios nos horários, acompanha o curativo e fica atento aos sinais da lista acima. Também vale cuidar de quem cuida: dividir as tarefas e descansar.

Retornos

Os retornos servem para conferir a ferida e a recuperação, ajustar os remédios, liberar as etapas seguintes (fisioterapia, trabalho, dirigir, exercício) e, nas cirurgias com fusão, acompanhar a consolidação com radiografias. Leve a lista de remédios atualizada, as dúvidas anotadas e os exames que tiver feito no intervalo. Se algo mudar antes da data marcada, a equipe deve ser avisada: o retorno pode ser antecipado.

Perguntas frequentes

Vou tomar anestesia geral?
Na maioria das cirurgias de coluna, sim: você dorme e não vê nem sente o procedimento. O tipo de anestesia é definido pelo anestesista na avaliação pré-operatória, conforme a cirurgia e o seu histórico, e explicado antes.
Vou sentir muita dor depois?
Alguma dor na região da cirurgia é esperada e é controlada com várias estratégias combinadas, no hospital e em casa. Ela tende a melhorar ao longo dos dias. Dor que não cede ao esquema prescrito deve ser comunicada, porque o plano pode ser ajustado.
Quando posso tomar banho?
Depende do tipo de curativo e da cirurgia; a orientação vai por escrito na alta. Em geral, o banho é liberado cedo, protegendo o curativo conforme a instrução, sem esfregar a ferida e sem banheira ou piscina até a liberação.
Quando posso dirigir?
Quando você consegue virar o tronco ou o pescoço sem dificuldade, reagir com rapidez e não está usando remédios que causam sono. O momento depende da cirurgia e da sua recuperação e é combinado nos retornos.
Quando volto ao trabalho?
Depende da cirurgia, da sua recuperação e do tipo de trabalho: atividades leves e de escritório voltam antes; trabalho com esforço físico espera mais. Combinamos nos retornos, e o atestado acompanha esse plano.
Vou precisar de colete?
Nem sempre. Em muitas cirurgias ele é dispensado ou usado por tempo curto, para conforto. Quando indicado, a equipe explica como usar e por quanto tempo, e a retirada é progressiva, combinada com a fisioterapia.
Quando começo a fisioterapia?
Quando a equipe orienta, conforme a cirurgia: em algumas, a caminhada e exercícios leves começam logo; o fortalecimento vem depois, com objetivos definidos. A fisioterapia faz parte do tratamento, não é opcional.
O que fazer se tiver febre?
Avise a equipe no mesmo dia, sobretudo se vier com secreção, vermelhidão ou abertura da ferida, ou com piora da dor. Febre nos primeiros dias nem sempre é infecção, mas precisa ser avaliada.
Uso remédio injetável para emagrecer. Preciso parar antes da cirurgia de coluna?
Em geral, sim. Esses remédios deixam a digestão mais lenta, o que importa para a segurança da anestesia. O tempo de suspensão varia conforme o remédio, então combine com a equipe de cirurgia e anestesia quando fazer a última aplicação. Não pare nem mude a dose por conta própria.
Tenho medo de ficar sem andar depois da cirurgia de coluna. Isso pode acontecer?
É um medo comum e vale a pena conversar sobre ele na consulta. Toda cirurgia tem riscos, e os do seu caso são explicados antes. Complicações neurológicas graves são incomuns, e nas cirurgias de coluna a função da medula e dos nervos é acompanhada em tempo real pela monitorização neurofisiológica, que avisa a equipe de alterações durante o procedimento.

Referências

  1. Kindel TL et al. Multisociety clinical practice guidance for the safe use of glucagon-like peptide-1 receptor agonists in the perioperative period. Surg Endosc. 2025;39:180-183.
Falar pelo WhatsApp