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Dr. Marcelo Acosta — Neurocirurgia · Cirurgia da Coluna

Diagnóstico · 6 min de leitura

Espondilolistese: uma vértebra "escorregada" — e agora?

"Escorregamento de vértebra" soa como algo prestes a se romper. Não é. A espondilolistese é frequente, muitas vezes estável e assintomática — e, quando causa problema, tem uma escada de tratamento bem definida.

Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Augusto Acosta Goiri — Neurocirurgião — CRM-SP 164159 — RQE 80588. Atualizado em 18 de agosto de 2026.

O que é

É o deslizamento de uma vértebra para frente em relação à de baixo. Mede-se em graus pelo percentual de deslizamento (I: até 25%; II: até 50%; III: até 75%; IV: acima disso). Graus I e II são a grande maioria. A vértebra não "cai" — ela está estabilizada por disco, ligamentos, facetas e músculos, e a maioria dos deslizamentos de baixo grau permanece estável por décadas.

Os dois tipos que importam

Ístmica: causada por uma falha óssea na pars interarticularis (espondilólise), geralmente adquirida na adolescência por esforço repetido em extensão — ginastas, atletas de arremesso, dançarinos. Acomete quase sempre L5-S1. Muitas vezes é achado casual em adulto. Degenerativa: causada pelo desgaste do disco e das facetas, que permite o deslizamento; mais comum após os 50 anos, em mulheres, em L4-L5. Frequentemente vem acompanhada de estenose.

Sintomas — quando há

Dor lombar mecânica, pior em pé e ao estender o tronco, melhor sentado. Na forma degenerativa com estenose, dor ou peso nas pernas ao caminhar, que melhora ao sentar (claudicação neurogênica). Dor radicular quando o deslizamento estreita o forame. Em jovens, encurtamento dos isquiotibiais e alteração da marcha. Muitas espondilolisteses de grau I não causam nada — e não precisam de nada além de acompanhamento.

Como se avalia

Radiografia em pé com incidências em flexão e extensão: mostra o grau e, sobretudo, se o deslizamento se move — instabilidade — o que a ressonância deitada não revela. Ressonância avalia disco, forames, canal e compressão nervosa. Em jovens com espondilólise recente, tomografia ou ressonância com sequências específicas detectam a fratura de estresse.

Tratamento, degrau a degrau

  • Orientação e conservador: fortalecimento de core e glúteos, alongamento de isquiotibiais, condicionamento; evitar hiperextensão repetida com carga; analgesia na crise. Resolve a maioria dos casos sintomáticos de baixo grau.
  • Infiltração / bloqueio: para dor radicular ou facetária associada, guiada por imagem.
  • Cirurgia: considerada quando há instabilidade sintomática, deslizamento progressivo, ou compressão nervosa refratária. Consiste em descomprimir os nervos e estabilizar o segmento com artrodese — por técnicas minimamente invasivas (TLIF, ALIF, fixação percutânea) sempre que possível. Estudos mostram que, na listese degenerativa com estenose, associar fusão à descompressão reduz recidiva em pacientes selecionados.

O que acompanhar

Em graus baixos e estáveis, radiografia periódica se houver mudança de sintomas — não de rotina. Sinais que mudam a conduta: dor radicular persistente, claudicação progressiva, fraqueza, ou aumento do deslizamento em radiografia comparativa.

Perguntas frequentes

A vértebra pode "cair" de vez?
Não de forma súbita. Progressão é lenta e mais frequente em jovens com graus altos. Em adultos com grau I ou II, o próprio enrijecimento do segmento tende a estabilizar.
Posso fazer musculação e correr?
Sim, com técnica e progressão. Movimentos de hiperextensão repetida com carga (arco lombar sob peso) merecem cautela; força de tronco e glúteos é o principal tratamento.
Meu filho adolescente tem espondilólise. Precisa parar o esporte?
Pausa temporária da atividade que provocou a lesão, com reabilitação, costuma permitir cicatrização ou estabilização e retorno ao esporte. Cirurgia é exceção.

Referências

  1. Ghogawala Z et al. Laminectomy plus fusion versus laminectomy alone for lumbar spondylolisthesis. N Engl J Med. 2016.
  2. Kalichman L, Hunter DJ. Diagnosis and conservative management of degenerative lumbar spondylolisthesis. Eur Spine J. 2008.
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