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Dr. Marcelo Acosta — Neurocirurgia · Cirurgia da Coluna

Tratamentos · 6 min de leitura

Infiltração na coluna: quando vale a pena e o que esperar

A infiltração ocupa o degrau do meio da escada: mais do que remédio oral, muito menos do que cirurgia. Bem indicada, resolve ou encurta muitos casos. Mal indicada, só adia a decisão certa. A diferença está na pergunta que se faz antes.

Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Augusto Acosta Goiri — Neurocirurgião — CRM-SP 164159 — RQE 80588. Atualizado em 18 de agosto de 2026.

O que a infiltração faz — e o que não faz

Ela leva anti-inflamatório (corticoide) e anestésico até o ponto de conflito entre disco e raiz nervosa, com guia de imagem. Reduz a inflamação da raiz — que é o que dói — enquanto o organismo reabsorve a hérnia ou enquanto a reabilitação avança. Ela não retira a hérnia, não abre o canal estreitado nem estabiliza nada. É tratamento da inflamação, não da anatomia.

Quando vale a pena

  • Dor radicular (ciática ou cervicobraquialgia) por hérnia que persiste após duas a seis semanas de tratamento conservador bem conduzido
  • Estenose foraminal ou do canal com dor irradiada em fase de piora
  • Quando a dor impede a fisioterapia e é preciso "abrir a janela" para reabilitar
  • Como teste diagnóstico: alívio após bloqueio de uma raiz específica confirma que ela é a fonte da dor — informação decisiva antes de qualquer cirurgia

Quando não faz sentido

  • Dor lombar sem irradiação, sem alvo inflamatório definido — a resposta é pobre
  • Déficit motor progressivo ou sinais de cauda equina: aí a decisão é cirúrgica, e a infiltração atrasa
  • Repetir uma infiltração que não deu alívio algum: se a primeira, bem feita, não funcionou, a segunda raramente funciona
  • "Infiltração de rotina" a cada tantos meses sem reavaliar o quadro

Como é feita

Ambulatorial, com anestesia local e, se necessário, sedação leve. Sob radioscopia ou tomografia, a agulha é posicionada junto à raiz (via transforaminal) ou no espaço peridural (via interlaminar ou caudal). Injeta-se contraste para confirmar a posição e, então, a medicação. Dura de dez a vinte minutos. Alta em uma a duas horas.

O que esperar

O anestésico pode dar alívio imediato de algumas horas; o corticoide começa a agir em dois a cinco dias. O alívio dura semanas a meses — o suficiente, em muitos casos, para a hérnia regredir e a dor não voltar. Em outros, é ponte: melhora parcial que permite reabilitar e, se a dor retornar com força, decidir cirurgia com mais informação. Estudos mostram benefício claro na dor radicular a curto e médio prazo; a longo prazo, o resultado depende da evolução natural da causa.

Riscos

Baixos quando guiada por imagem. Dor local por um ou dois dias, piora transitória, rubor facial e elevação passageira da glicemia (diabéticos devem monitorar) são as ocorrências mais comuns. Complicações graves são raras. Anticoagulantes, alergias e infecções ativas são revisados antes.

Perguntas frequentes

Quantas posso fazer por ano?
Não há número mágico, mas a dose total de corticoide é limitada — em geral, poucas aplicações por ano. Se a dor exige infiltrações repetidas, é sinal de que a estratégia precisa ser revista.
A infiltração dói?
Há desconforto no posicionamento da agulha, controlado com anestesia local. A maioria descreve como tolerável e breve.
Se a infiltração funcionar, nunca vou precisar operar?
Em muitos casos, a hérnia regride e a cirurgia não é necessária. Em outros, ela volta a doer e a cirurgia é decidida depois. A infiltração não fecha nem abre essa porta — só dá tempo e informação.

Referências

  1. Manchikanti L et al. Epidural interventions in the management of chronic spinal pain: ASIPP guidelines. Pain Physician. 2021.
  2. Oliveira CB et al. Epidural corticosteroid injections for lumbosacral radicular pain. Cochrane Database Syst Rev. 2020.
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