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Dr. Marcelo Acosta — Neurocirurgia · Cirurgia da Coluna

Diagnóstico · 7 min de leitura

Sua ressonância mostrou "alterações": o que isso significa de verdade

Sua Ressonância — capa do artigo do Dr. Marcelo Acosta, neurocirurgião de coluna em São Paulo: símbolo da marca em iluminação uniforme.

Poucas coisas assustam mais do que ler um laudo de ressonância da coluna. As palavras são técnicas e soam graves. Este texto traduz os termos mais comuns — e explica por que grande parte deles aparece também em quem não sente nada.

Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Augusto Acosta Goiri — Neurocirurgião — CRM-SP 164159 — RQE 80588. Atualizado em 26 de outubro de 2026.

Vídeo · 1 min 22 s

Protrusão, abaulamento, desidratação discal: o laudo da ressonância é grave?

Dr. Marcelo Acosta, neurocirurgião de coluna, no vídeo sobre o laudo da ressonância da coluna
Transcrição do vídeo

Você abriu o resultado da ressonância da coluna, leu protrusão, abaulamento, desidratação discal... e achou que a sua coluna está condenada? Calma. Muitas vezes, desidratação e abaulamento são como os cabelos brancos da coluna. Sinais do tempo, que aparecem até em quem não sente dor nenhuma. O que costuma dar sintoma é quando uma hérnia de disco aperta ou inflama a raiz de um nervo. Aí vem aquela dor que queima, formiga ou desce para a perna. E mesmo nesses casos, a maioria melhora sem cirurgia. Se vier com fraqueza na perna ou alteração para urinar, procure um atendimento logo. O laudo conta só metade da história. A outra metade está na consulta e no seu exame físico. Eu sou o doutor Marcelo Acosta, neurocirurgião de coluna. Salve este vídeo para não esquecer. E, se quiser avaliar o seu caso, o link está no meu perfil. Na consulta, eu faço questão de abrir as imagens originais da sua ressonância junto com você. A gente olha com calma o canal por onde passam os nervos, para responder a pergunta mais importante: o que aparece nessa imagem explica o que você está sentindo hoje? A partir daí, traçamos juntos o tratamento mais adequado para o seu caso, começando pelo menos invasivo. O link para falar com a minha equipe está aqui na descrição.

Referência: Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015;36(4):811-816.

Antes de tudo: o que a ressonância mostra em pessoas sem dor

Estudos com ressonância em adultos assintomáticos mostram discopatia degenerativa em cerca de um terço dos jovens de 20 anos e na grande maioria após os 60; abaulamento discal em mais da metade dos adultos de meia-idade; protrusão em um terço; artrose facetária, hipertrofia ligamentar e estreitamentos leves com frequência crescente com a idade. Ou seja: o laudo descreve a coluna que envelhece, não necessariamente a fonte da dor. O que dá sentido ao exame é a correlação com o que você sente e com o exame físico.

Dicionário do laudo

  • Desidratação discal / discopatia degenerativa: o disco perdeu água e altura. Processo natural; só é relevante se corresponder à dor.
  • Abaulamento: o disco se expande de forma difusa além das bordas vertebrais. Achado muito comum, raramente comprime nervo.
  • Protrusão: o núcleo empurra o anel localmente, sem romper. Pode ou não tocar uma raiz.
  • Extrusão: o núcleo atravessa o anel; fragmento pode migrar. Mais associada a ciática — e, paradoxalmente, a que mais regride sozinha.
  • Sequestro: fragmento livre no canal. Também tende a ser reabsorvido.
  • Estenose (central, foraminal, de recesso lateral): estreitamento do espaço dos nervos; graduada em leve, moderada, acentuada. Só importa se houver sintomas compatíveis.
  • Artrose / hipertrofia facetária: desgaste das articulações posteriores. Frequente; fonte de dor em parte dos casos.
  • Espessamento do ligamento amarelo: contribui para a estenose.
  • Alterações Modic: mudanças de sinal no osso junto ao disco (tipo 1 inflamatório, tipo 2 gorduroso, tipo 3 esclerótico). O tipo 1 tem alguma associação com dor lombar.
  • Espondilolistese: deslizamento de uma vértebra; grau I é a maioria e frequentemente estável.
  • Nódulos de Schmorl, hemangioma vertebral: achados benignos, quase sempre sem importância clínica.

O que faz um achado ser relevante

Três perguntas: o achado está no nível e no lado que explicam os sintomas? A distribuição da dor e do formigamento corresponde à raiz que aquele achado comprimiria? O exame neurológico mostra alteração compatível (força, sensibilidade, reflexo)? Quando as três respostas são sim, o achado é a causa provável. Quando não, é provavelmente um espectador — e tratar o laudo em vez do paciente leva a procedimentos desnecessários.

Achados que merecem atenção mesmo com pouca dor

Compressão da medula cervical ou torácica com alteração de sinal medular; estenose acentuada com sinais neurológicos; lesões ósseas de aspecto suspeito (tumor, infecção); fraturas recentes com edema. Nesses casos, o achado pode preceder a clínica e a avaliação especializada é indicada.

O que fazer com o laudo

Não decida nada a partir dele. Leve-o a uma consulta em que o médico examine você antes de olhar a imagem — e depois olhe a imagem, não só o laudo. Pergunte: "Qual desses achados explica o que eu sinto?" A resposta a essa pergunta é o diagnóstico. O restante é ruído natural do tempo. Essa leitura conjunta é o que uma consulta com um especialista em coluna em São Paulo deve oferecer.

Perguntas frequentes

Minha hérnia é "volumosa". Isso é grave?
Volume não define indicação. Hérnias volumosas extrusas são as que mais regridem espontaneamente. O que define conduta é o efeito sobre a raiz — dor, força, sensibilidade.
Preciso repetir a ressonância para ver se piorou?
Só se os sintomas mudarem ou antes de um procedimento. Repetir "para acompanhar" sem mudança clínica não muda a conduta.
A ressonância pode estar normal e eu ter dor?
Sim. Boa parte da dor lombar e cervical é mecânica, muscular ou facetária, sem tradução em imagem. Ressonância normal não significa dor imaginária.

Referências

  1. Brinjikji W et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015.
  2. Fardon DF et al. Lumbar disc nomenclature: version 2.0. Spine J. 2014.
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