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Dr. Marcelo Acosta — Neurocirurgia · Cirurgia da Coluna

Sintomas · 6 min de leitura

Travei a coluna: o que fazer nos primeiros dias de lombalgia aguda

Abaixou para pegar algo, espirrou, girou o tronco — e a lombar travou. É assustador, é muito comum, e na imensa maioria das vezes melhora em dias a poucas semanas. O que se faz nos primeiros dias faz diferença.

Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Augusto Acosta Goiri — Neurocirurgião — CRM-SP 164159 — RQE 80588. Atualizado em 18 de agosto de 2026.

O que aconteceu

A lombalgia aguda mecânica é, quase sempre, uma reação de músculos, ligamentos, discos e articulações a um esforço ou movimento — com espasmo muscular protetor que "trava" a região. Não é sinal de que algo se rompeu ou saiu do lugar. A ressonância, se fosse feita, mostraria em geral as mesmas alterações que existiam antes da crise.

Nas primeiras 48 horas

  • Não fique de cama. Repouso absoluto prolonga a dor. Alterne posições de alívio com caminhadas curtas
  • Calor local (bolsa térmica) costuma relaxar o espasmo; frio pode ajudar nas primeiras horas se houver sensação inflamatória — use o que aliviar
  • Analgésico simples e anti-inflamatório por poucos dias, respeitando contraindicações; relaxante muscular pode ser considerado pelo médico
  • Evite ficar sentado por longos períodos e evite carregar peso com o tronco flexionado
  • Continue as atividades que conseguir, com adaptações — trabalho, deslocamentos, tarefas leves

Do terceiro dia em diante

Aumente o movimento gradualmente: caminhadas mais longas, mobilidade suave, retorno progressivo às atividades. A dor pode oscilar; isso é esperado. Se em duas semanas ainda não houver melhora clara, é hora de avaliação médica para reorientar o plano e iniciar fisioterapia estruturada.

Quando o médico é necessário desde o início

  • Dor que desce pela perna abaixo do joelho, com formigamento ou fraqueza
  • Dor após queda ou trauma, sobretudo em quem tem osteoporose ou mais de 65 anos
  • Febre, emagrecimento não intencional, histórico de câncer ou uso de corticoide prolongado
  • Dormência na região íntima, dificuldade para urinar ou incontinência (urgência)
  • Dor noturna que não alivia em nenhuma posição

O que não ajuda

Pedir ressonância no primeiro dia sem sinais de alerta: não muda a conduta e costuma trazer laudos preocupantes sem relação com a crise. Coletes por longos períodos. Manipulações vigorosas em plena crise. Injeções sem diagnóstico. E — talvez o mais importante — o medo de se mover: a coluna é resistente, e movimento é remédio.

Depois que passa

Recorrências são comuns. O que mais reduz sua frequência é atividade física regular, com fortalecimento do tronco e dos glúteos, e menos tempo sentado sem pausas. Não é preciso um programa especial: o exercício que você consegue manter é o melhor.

Perguntas frequentes

Preciso de ressonância?
Não nos primeiros dias, se não houver sinais de alerta. Ela é indicada quando a dor persiste apesar do tratamento ou quando há sinais neurológicos.
Posso ir trabalhar?
Se o trabalho permitir adaptações (pausas, evitar carga), sim. Manter-se ativo acelera a recuperação.

Referências

  1. Qaseem A et al. Noninvasive treatments for acute, subacute, and chronic low back pain: a clinical practice guideline from the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2017.
  2. Foster NE et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. Lancet. 2018.
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