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Dr. Marcelo Acosta — Neurocirurgia · Cirurgia da Coluna

Tratamentos · 7 min de leitura

Endoscopia da coluna: como funciona, para quem serve e para quem não serve

A endoscopia é hoje a técnica mais procurada por quem pesquisa cirurgia de coluna — e por boas razões. Também é a mais cercada de expectativa. Este texto explica o que ela é, o que faz muito bem, e onde ela não é a resposta.

Conteúdo revisado por Dr. Marcelo Augusto Acosta Goiri — Neurocirurgião — CRM-SP 164159 — RQE 80588. Atualizado em 18 de agosto de 2026.

O que é

Cirurgia endoscópica da coluna é a remoção de uma hérnia ou a descompressão de um nervo através de um portal de cerca de 8 milímetros, por onde passa um endoscópio com câmera de alta definição, luz e canal de trabalho, sob irrigação contínua de soro. O cirurgião opera olhando para um monitor, com a anatomia ampliada, e sem descolar a musculatura das costas.

Vias de acesso

Transforaminal: entrada lateral, pelo forame por onde sai a raiz; ideal para hérnias foraminais e extraforaminais e para muitas hérnias paramedianas lombares; pode ser feita com anestesia local e sedação. Interlaminar: entrada posterior, entre as lâminas, semelhante ao trajeto da microdiscectomia; preferida em L5-S1 e em hérnias mais mediais. Biportal (UBE): dois portais pequenos, um para a câmera e outro para os instrumentos; amplia o alcance para estenoses centrais e descompressões mais extensas.

Para quem serve

  • Hérnia de disco lombar com dor radicular refratária ao tratamento conservador ou com déficit motor — a indicação mais consolidada
  • Estenose foraminal e do recesso lateral com radiculopatia
  • Estenose central lombar em casos selecionados, sobretudo por técnica biportal
  • Hérnia cervical foraminal (foraminotomia posterior endoscópica) e hérnias torácicas selecionadas
  • Recidiva de hérnia em nível já operado, em pacientes selecionados

Para quem não serve

  • Instabilidade (espondilolistese instável): endoscopia não estabiliza; o tratamento é artrodese quando indicado
  • Deformidade que exige correção
  • Estenose central grave multinível com anatomia desfavorável — a descompressão convencional ou tubular pode ser mais segura e completa
  • Casos em que a via endoscópica não permite acesso adequado ao fragmento — a experiência do cirurgião pesa aqui
  • Dor lombar inespecífica sem compressão nervosa: nenhuma técnica cirúrgica é resposta

Vantagens

Menor dor pós-operatória, menor sangramento, incisão mínima, preservação muscular, alta no mesmo dia ou no dia seguinte, retorno mais rápido às atividades. Em pacientes selecionados, anestesia local com sedação em vez de geral. Estudos randomizados mostram resultados de dor e função comparáveis à microdiscectomia para hérnia lombar, com recuperação mais rápida.

Limites e riscos

A curva de aprendizado é longa: os resultados dependem da experiência da equipe. Riscos são semelhantes aos da microdiscectomia — lesão dural, infecção, recidiva de hérnia, disestesia transitória na via transforaminal — e baixos em mãos experientes. Um risco específico é o de descompressão incompleta quando a técnica é forçada em anatomia desfavorável.

Recuperação

Deambulação em poucas horas. Alta no mesmo dia ou no seguinte. Atividades leves em dias; trabalho de escritório em uma a duas semanas; esforço e esporte após liberação. Fisioterapia orienta a retomada e reduz recidiva de dor lombar.

Perguntas que valem a pena fazer

  • Por que a endoscopia é a melhor via para o meu caso — e qual seria a alternativa?
  • Qual a via (transforaminal, interlaminar, biportal) e por quê?
  • O que acontece se, durante a cirurgia, a via não permitir descompressão completa?
  • Qual é a experiência da equipe com essa técnica?

Perguntas frequentes

A endoscopia é sempre melhor que a cirurgia aberta?
Não. Para as indicações certas, oferece recuperação mais rápida com resultado equivalente. Para instabilidade e deformidade, não é a técnica. Um cirurgião que só oferece endoscopia tende a indicá-la também onde ela não é a resposta.
A hérnia pode voltar?
Recidiva no mesmo nível ocorre em uma minoria dos pacientes ao longo dos anos, em taxa semelhante à da microdiscectomia.

Referências

  1. Gadjradj PS et al. Full endoscopic versus open discectomy for sciatica: randomised controlled non-inferiority trial. BMJ. 2022.
  2. Hofstetter CP et al. AOSpine consensus paper on nomenclature for working-channel endoscopic spinal procedures. Global Spine J. 2020.
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